domingo, 30 de julho de 2017

O que desejas de Deus para a tua vida?



Hoje, ao ouvir a primeira leitura da missa, do Livro de 1º Reis 3,5-15, fiquei impressionada com a resposta de Salomão dada a Deus quando Este perguntou-lhe: 

-  Pede! Que posso Eu dar-te?.

Desde muito nova, o personagem bíblico Salomão sempre me chamou a atenção. Quase sempre ele é conotado com aquela célebre decisão em conhecer a verdadeira mãe daquela criança que era disputada por duas mulheres. (1º Reis 3,16-28)

Se Deus se aproximasse de mim, perguntando-me:
- Pede! Que posso Eu dar-te?

Qual seria a minha resposta?

Todos os cuidados materiais deste mundo certamente encheriam a minha cabeça e talvez rapidamente estaria ali a pedir-Lhe uma casa, um estatuto social, riqueza e outros tantos bens materiais que certamente necessitaria para ser humanamente feliz.

E se não fossem estes cuidados materiais, pensaria numa cura de uma doença, num emprego estável e bem remunerado, em ter uma vida calma até o fim dos meus dias nesta terra.

Mas eis que Salomão, ainda jovem, adianta-se no tempo e no espaço de si mesmo; e pede a Deus algo bem mais precioso que todas estas coisas findáveis, apesar de humanamente necessárias.

Salomão respondeu: «Tu trataste o teu servo David, meu pai, com grande misericórdia, porque ele andou sempre na tua presença com lealdade, justiça e rectidão de coração para contigo; conservaste para com ele essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono. Agora, Senhor, meu Deus, és Tu também que fazes reinar o teu servo em lugar de David, meu pai; mas eu não passo de um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar. O teu servo encontra-se agora no meio do teu povo escolhido, um povo tão numeroso que ninguém o pode contar nem enumerar, por causa da sua multidão. Terás, pois, de conceder ao teu servo um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal. De outro modo, quem seria capaz de julgar o teu povo, um povo tão importante?»” (1º Reis 3,6-9)

Ao ler devagar o pedido de Salomão a Deus, percebo o quanto ainda não tinha realmente me debruçado sobre esta sabedoria de Salomão que tanto o honrou em toda a sua vida.

Se ler com calma cada frase que antecedeu o seu pedido a Deus, percebe-se que Salomão quando fez o seu pedido, não pensou em si próprio.

Para começar, ele disse: “«Tu trataste o teu servo David, meu pai, com grande misericórdia, porque ele andou sempre na tua presença com lealdade, justiça e rectidão de coração para contigo; conservaste para com ele essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono.” (1º Reis 3,6)

Salomão, nesta sua primeira frase a Deus, agradece primeiramente as suas origens, lembrando-se do seu pai David. Ele revela uma imensa gratidão a Deus, especialmente pelas graças dadas ao seu pai David, especialmente por este ter tido um filho, que é o próprio Salomão. Quem conhece a história bíblica de David, sabe que este não foi uma pessoa tão leal, justa ou reta como diz Salomão. Sim, David arrependeu-se das suas falhas, algumas muito graves e demonstrou imenso arrependimento, tornando-se justo e endireitando as suas escolhas inicialmente erradas. 

O que justifica um ser humano perante Deus é exatamente este querer corrigir o que de mal fez. 

Todos nós erramos e caímos. A nossa fé em Deus concentra-se neste levantar da lama das nossas falhas e depois corrigi-las. 

A grandeza dos filhos de Deus está nesta busca incessante pela perfeição a partir dos pequenos gestos. 

David o provou que é possível. Efetivamente ele tornou-se, aos poucos, um homem cada vez mais digno ao longo da sua vida.


Salomão não lembra os erros do seu pai. Antes, glorifica os acertos deste, agradecendo a Deus esta graça que seu pai David lhe ensinou e pela sua busca de santidade que o fez digno, como rei e como pai, ao longo da sua vida.

Salomão considera-se um gesto de misericórdia de Deus para seu pai – “…conservaste para com ele (David) essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono.”

Assim, Salomão inicia o seu pedido a Deus com uma oração de louvor e de gratidão a Deus, pelo seu passado, especialmente por lhe ter concedido a graça de nascer e de ter como pai, o rei David.  

"Antes de mais, uma constatação deveria surpreender-nos. É que, quando louvamos a Deus ou Lhe damos graças pelos seus benefícios em geral, não nos importamos nada com saber se a nossa oração Lhe é agradável, ao passo que exigimos ver o resultado da nossa petição. Qual é, então, a imagem de Deus que motiva a nossa oração: um meio a utilizar ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?" (Catecismo da Igreja Católica nº 2735)

Salomão ensina-me que antes de pedir qualquer coisa a Deus, o nosso coração tem de ser grato e ao mesmo tempo, cheio de perdão para com os nossos antepassados. Só assim podemos recomeçar a nossa história. Se não perdoarmos os nossos antepassados, como poderemos seguir livres de todo o mal que continuamente lembramos de geração em geração. 

Perdoar é a chave que nos liberta do mal feito pelos outros. E para além disso, agradecer a Deus por termos nascido, pois este nosso nascimento é uma grande misericórdia de Deus na vida dos nossos progenitores.

"A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos (Cf. Mt 5, 43-44). Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (Cf. 2 Cor 5, 18-21) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si (Cf. João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 14: AAS 72 (1980) 1221-1228.)". (Catecismo da Igreja Católica nº 2844)



Agora vou meditar a segunda parte do pedido de Salomão a Deus:
“Agora, Senhor, meu Deus, és Tu também que fazes reinar o teu servo em lugar de David, meu pai; mas eu não passo de um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar. O teu servo encontra-se agora no meio do teu povo escolhido, um povo tão numeroso que ninguém o pode contar nem enumerar, por causa da sua multidão.” (1º Reis 3,7-8)

Nesta segunda parte, Salomão coloca diante de Deus, a sua fragilidade diante do alto cargo que lhe está destinado por ser filho de David. Aliás, ele diz que é “um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar”

Salomão declara-se impotente para o cargo de rei que lhe destinaram. Diz abertamente a Deus que sozinho e humanamente, apenas a contar com as suas capacidades, não irá conseguir realizar bem o cargo que lhe destinaram.

Salomão derrama-se no colo de Deus e diz, humildemente, que não conseguirá sozinho realizar o que lhe pedem para fazer. 

Depois louva o povo que tem para governar, a sua história e a sua quantidade, que é para além das suas capacidades humanas. 

"A bênção exprime o movimento de fundo da oração cristã: ela é o encontro de Deus com o homem; nela se encontram e unem o dom de Deus e o acolhimento do homem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode responder bendizendo Aquele que é a fonte de toda a bênção." (Catecismo da Igreja Católica nº 2626)

Salomão não fala mal nem aponta as fragilidades do povo de Israel. Salomão não aponta defeitos para o cargo que irá ocupar. Ele assume-se como o próprio “defeito”. Não está nos outros o erro, o mal, a fragilidade e a incapacidade. Salomão assume para si próprio todo este erro, mal, fragilidade e incapacidade. É ele, Salomão, que é o mais fraco entre todos que irá governar, e por isso assume-se o mais pequeno em todo o povo que irá governar.

Salomão ensina-me nesta segunda parte do seu pedido a Deus, que nunca devemos apontar culpas aos outros pelas nossas incapacidades. Na verdade, é a partir de nós mesmos que começa esta  fragilidade.

Ninguém é capaz de fazer, seja o que for, se estiver a contar apenas com as suas próprias habilidades e capacidades.

E então após estes dois primeiros passos é que Salomão faz o derradeiro pedido a Deus:

“Terás, pois, de conceder ao teu servo um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal. De outro modo, quem seria capaz de julgar o teu povo, um povo tão importante?” (1º Reis 3,9)

Então Salomão pede a Deus, não honras, nem riquezas materiais, nem vitórias nas batalhas que travaria …

Salomão pede “um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal”.

Salomão pede que Deus lhe conceda um bem que só Deus poderia dar a um ser humano.  E depois justifica-se, que esse bem que lhe pede, não é para ele próprio, mas para que possa governar o povo de Deus, discernindo entre o bem e o mal e assim reinando com a justiça que este povo de Deus tanto merece.

Salomão, mais uma vez, mostra-se humilde em seu pedido, pois se avança com tal desejo, não é para consolo terreno, antes, para que possa ser capaz de governar com justiça.

Eu aprendo com Salomão, que se alguma vez, pedir a Deus, devo dar estes três passos: louvor, agradecimento e perdão.
São três passos que se unem numa só palavra: humildade.

Se formos capazes de rezar a Deus com verdadeira humidade como o fez Salomão, penso que Deus não negaria nada que lhe pedíssemos.

E realmente, após esta demonstração de imensa humildade, eis que Deus concede a Salomão não só o seu pedido mas muito e para além do que Lhe foi pedido:

“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor, que lhe disse: «Já que me pediste isso e não uma longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sim o discernimento para governar com rectidão, vou proceder conforme as tuas palavras: dou-te um coração sábio e perspicaz, tão hábil que nunca existiu nem existirá jamais alguém como tu. Dou-te também o que nem sequer pediste: riquezas e glória, de tal modo que, durante a tua vida, não existirá rei que te seja igual. Se andares nos meus caminhos e observares as minhas ordens como fez David, teu pai, dar-te-ei uma longa vida.»” (1º Reis 3,10-14)

E então, eis que Deus concede não só o que Salomão pediu mas dá-lhe ainda mais, aliás, oferece-lhe o que humanamente qualquer pessoa iria necessitar. Deus sabe do que precisamos e conhece as fragilidades humanas. Por isso, Deus adianta-se a conceder-lhe tudo o que advém de uma vida com sabedoria.

Se a sabedoria não estiver em nossas ações, pensamentos e sentimentos, como poderemos escolher entre o mal e o bem?

"A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo. Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Pertencem em plenitude a Cristo, filho de David (Cf. Is 11, 1-2). Completam e levam à perfeição as virtudes de quem os recebe. Tornam os fiéis dóceis, na obediência pronta, às inspirações divinas. «Que o vosso espírito de bondade me conduza pelo caminho recto» (Sl 143, 10). «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus [...]; se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo» (Rm 8, 14.17). (Catecismo da Igreja Católica nºs. 1830-1831)


Tudo encontra-se na sabedoria que vem de Deus. Sem a sabedoria em Deus, não somos capazes de discernir o que é bom ou mau para nós.

A sabedoria de Deus é capaz de ir além do que se vê no horizonte do dia de hoje. A sabedoria de Deus lê as páginas da nossa vida, uma após outra, e então desenha o que é bom e mau para nós.

O nosso entendimento humano é incapaz de chegar tão longe.

Salomão percebeu isso, e então foi capaz de alcançar de Deus tamanha graça, pelo caminho pequenino de um coração humilde perante Deus.


Então, quando colocar algum pedido diante de Deus, aprenderei com a humildade de Salomão com estes três passos: louvor, agradecimento e perdão. 

(Autora: Rosária Grácio)


Bibliografia:
Passagens bíblicas consultadas em:

Frases do Catecismo da Igreja Católica consultadas em:

Fotos de Rosária Grácio

Pinturas de Gráccio Caetano

segunda-feira, 29 de maio de 2017

“Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.” (Mateus 5, 11-12)



“Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.” (Mateus 5, 11-12)

Com esta última bem-aventurança, Jesus termina as chamadas "Bem-Aventuranças".

Ao contrário das demais, esta Bem-aventurança é muito mais longa, aliás ocupa dois versículos com duas frases nada pequenas.

Ao ler várias vezes estes dois versículos lembrei-me dos três pastorinhos de Fátima.

Neste mês de Maio, tenho-me dedicado a conhecer melhor a história dos pastorinhos de Fátima – Portugal. Dois deles, Santa Jacinta Marto e São Francisco Marto foram beatificados em 13 de maio de 2017, em que se comemoravam os 100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima – Portugal.

Na primeira aparição, Nossa Senhora fez-lhes uma pergunta:

“– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”

Os pastorinhos responderam:

“– Sim, queremos!”

Então, Nossa Senhora disse-lhes:

“– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.”

Ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) Nossa Senhora abriu pela primeira vez as mãos, comunicando aos três pastorinhos, uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-lhes no peito e no mais íntimo da alma, os fez ver a si mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que vê no melhor dos espelhos. Então por um impulso íntimo que também lhes foi comunicado, os três pastorinhos caíram de joelhos a repetir intimamente:

“– Ó Santíssima Trindade, eu vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:

– Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.”

Todas estas palavras, ditas assim, até parecem ser fáceis de dizer e de ouvir … Porém, quanto mais as leio, mais intimamente fico admirada por tamanha coragem de três humildes crianças em aceita-las para as suas vidas.


Só Deus, em sua infindável misericórdia, poderia dar a simples crianças, esta sabedoria que muitos, por mais que estudem ou divaguem, nunca irão lá chegar.

Toda a perseguição que foi feita àquelas crianças, e depois à Lúcia, que até hoje ainda se vê, com mentiras a seu respeito que vão sempre enchendo as redes sociais de interrogações sem sentido. Vejo em tudo isso e compreendo perfeitamente porque tanta gente persegue estas humildes crianças.

Fátima tornou-se num lugar de peregrinação, e são muitas as histórias que se vão contando, de conversões, de milagres, de cura espiritual e física… Não falo dos milagres extraordinários… Falo dos pequenos milagres do dia-a-dia que vão acontecendo na vida das pessoas que diante de uma imagem de Nossa Senhora, rezam o rosário e vão pouco a pouco, se aproximando de Jesus e de Deus.

E tudo começou com o sacrifício de três pequenas crianças. Este sacrifício dura até os nossos dias. Cada vez que mais uma palavra de ofensa é proferida aos três pastorinhos, que procura o descrédito para as aparições, com o intuito de descredibilizar a sua mensagem, mais e mais conversões se fazem por meio daquelas simples crianças. Isso, porque elas ofereceram a Deus exactamente tudo o que esta bem-aventurança diz, e assim por meio desses sacrifícios, possam converter mais e mais pecadores:

“Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.” (Mateus 5, 11-12)

Porém, e apesar disso, todas estas pessoas que se dedicam a falar mal, especialmente das coisas santas, não ficam justificadas: 

“A blasfémia opõe-se directamente ao segundo mandamento. Consiste em proferir contra Deus – interior ou exteriormente – palavras de ódio, de censura, de desafio; dizer mal de Deus; faltar-Lhe ao respeito nas conversas; abusar do nome d'Ele. São Tiago reprova aqueles «que blasfemam o bom nome [de Jesus] que sobre eles foi invocado» (Tg 2, 7). A proibição da blasfémia estende-se às palavras contra a Igreja de Cristo, contra os santos, contra as coisas sagradas. É também blasfematório recorrer ao nome de Deus para justificar práticas criminosas, reduzir povos à escravidão, torturar ou condenar à morte. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião. A blasfémia é contrária ao respeito devido a Deus e ao seu santo nome. É, em si mesma, pecado grave (73. Cf. CIC can. 1369).”(Catecismo da Igreja Católica nº 2148)

A última bem-aventurança que é dita por Jesus tem certamente um motivo divino ao ser deixada para o fim. Na minha humilde opinião, parece-me que nesta última bem-aventurança, está a chave que abre a porta para todas as demais. Nesta última bem-aventurança revejo todo o caminho de perseguição que foi feito não só a Jesus, mas também aos seus seguidores, ao longo destes séculos. Nas vidas da Virgem Maria e de todos os santos, não há ninguém, que sendo fiel a Cristo, que não tenha sido perseguido, insultado e com mentiras, caluniado. Infelizmente, é uma realidade que ainda hoje, e mais ainda nestes tempos, se repete.

“As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua paixão e ressurreição; definem os actos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos." (Catecismo da Igreja Católica nº 1717)

Com os pastorinhos de Fátima foi e ainda é assim. Todos os dias, aqui e ali, aparece um insulto, uma mentira com uma capa de verdade, ou uma alteração do que foi dito ou escrito, colocando a culpa neste e naquele, quase como um leque aberto de facas bem afiadas a querer retirar das almas a fé e a sua paz.


Somente almas “crianças” como as dos pastorinhos de Fátima poderão olhar para tudo isto e ainda  aceitar este pedido de Nossa Senhora:

«– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".»(3ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima - 13 de julho de 1917)

Quem de nós, ao ser perseguido, caluniado e difamado, injustamente até mesmo no meio das ingratidão de pessoas que julgávamos nossas amigas, poderá fazer sacrifícios pelos seus perseguidores e pelos que nos fazem mal?

Nunca poderia imaginar que os meus sacrifícios do dia-a-dia poderão ser meios para salvar todas estas pessoas, especialmente aquelas que me parecem as piores, as que mais me repugnam... 

«Em virtude da sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, os leigos recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos cada vez mais abundantes. De facto, todas as suas actividades, orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres do espírito e do corpo, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida se pacientemente suportadas, tudo se transforma em "sacrifício espiritual, agradável a Deus por Jesus Cristo" (1 Pe 2, 5). Na celebração eucarística, todas estas oblações se unem à do Corpo de Senhor, para serem piedosamente oferecidas ao Pai. É assim que os leigos, como adoradores que em toda a parte se comportam santamente, consagram a Deus o próprio mundo» (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 34: AAS 57 (1965) 40: cf. Ibid, 10: AAS 57 (1965) 14-15.). (Catecismo da Igreja Católica nº 901)
  


Isto de fazer penitência por quem não merece, é algo que inicialmente parece-me absurdo. Como posso aceitar um sofrimento por causa de alguém que me fez mal ou que me odeia?

E para além disso, como me poderei sacrificar por quem não tenho qualquer simpatia e até, diria, que não é uma pessoa que considero de bem?

Se estas perguntas me assaltam, então os três pastorinhos ensinam-me!

O que dizer do pedido que Nossa Senhora de Fátima fez aos três pastorinhos de Fátima em sua quarta aparição de 19 de agosto de 1917:


“– Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”


Este pedido de Nossa Senhora tem uma fonte evangélica. Foi o próprio Jesus que disse:

«Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já isso os cobradores de impostos? E, se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.» (Mateus 5, 43-48)

Esta oração e sacrifício que salva almas, pode ser feito por qualquer pessoa, sem grande alarido:

“Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores, «o saco e a cinza», os jejuns e as mortificações, mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude cm sinais visíveis, gestos e obras de penitência (Cf. Jl 2, 12-13: Is 1,16-17: Mt 6, 1-8.16-18.).” (Catecismo da Igreja Católica nº 1430)

E de que formas poderemos fazer penitência?


“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo (27. Cf. Tg 5, 20), a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados»" (1 Pe 4, 8). “(Catecismo da Igreja Católica nº 1434)

Claro que o catecismo da Igreja católica nos ensina mais, pelo que convido a todos a lerem e aprofundarem este tema da penitência que talvez seja a resposta a tantos males espirituais e corporais.

Na segunda aparição a 13 de junho de 1917, quando a Lúcia pediu a cura de um doente, Nossa Senhora disse-lhe:

“– Se se converter, curar-se-á durante o ano.”

Por vezes, as curas das nossas doenças dependem da nossa conversão. E isto já nos ensinou Jesus, basta lermos a passagem bíblica da cura do paralítico de Cafarnaum:

“Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm, ouviu-se dizer que estava em casa. Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: «Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» Jesus percebeu logo, em seu íntimo, que eles assim discorriam; e disse-lhes: «Porque discorreis assim em vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, Eu te ordeno - disse ao paralítico: levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa.» Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de modo que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim!»(Marcos 2, 1- 12)

Esta passagem bíblia ficou tão na memória dos seguidores de Jesus que é narrada nos quatro evangelhos: (Mateus 9,1-8; Lucas 5,17-26; Marcos 2, 1- 12, João 5,1-9).


A conversão faz-se nos sacrifícios do dia-a-dia. Sofrer por causa de Cristo é sofrer por quereremos ser mais de Deus, apesar do que nos ensina o mundo. As escolhas que fazemos no dia a dia, quando optamos viver a mensagem de Cristo, basta-nos! Por isso é que Jesus diz que devemos nos alegrar e somos bem-aventurados:

“Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.” (Mateus 5, 11-12)

Seremos perseguidos, porque o mal não nos quer ver a fazer o bem. Quando caminhamos para a nossa santificação, os espinhos irão cada vez mais aumentar.

Porém, ao contrário do que muitos possam pensar, a cada passo que se dá neste caminho, mais se fica em paz. Por quê? Porque a paz que Deus nos dá é tão grande que nenhuma dor ou tristeza pode suplantar.

Também, aqui não posso deixar de lembrar o quanto a perseguição religiosa aos cristãos é feroz nestes tempos, e também estes mártires, que fisicamente dão a sua vida por Jesus são também abraçados por esta bem-aventurança.

No entanto, Jesus quer-nos atentos, e que O busquemos também na vida quotidiana. 

O dia-a-dia traz-nos meios de santificação. São dons de Deus que precisamos identificar e compreender à luz da sua Palavra.    

E por falar em dons, deixo-vos com as palavras do Papa Francisco dirigidas aos doentes, na sua visita a Fátima- Portugal:

“Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração. Não vos considereis apenas recetores de solidariedade caritativa, mas senti-vos inseridos a pleno título na vida e missão da Igreja. A vossa presença silenciosa mas mais eloquente do que muitas palavras, a vossa oração, a oferta diária dos vossos sofrimentos em união com os de Jesus crucificado pela salvação do mundo, a aceitação paciente e até feliz da vossa condição são um recurso espiritual, um património para cada comunidade cristã. Não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja.” (Papa Francisco - Saudação do Santo Padre aos doentes no final Santa Missa  - Adro do Santuário, Fátima-  13 de maio de 2017)




Bibliografia:

Palavras do Papa Francisco consultadas em:

O relato das aparições em Fátima - Portugal foram consultadas em:

Os trechos bíblicos foram consultados no  site:
www.capuchinhos.org/biblia/

As imagens são pinturas originais de Gráccio Caetano
www.gracciocaetano.com






domingo, 30 de abril de 2017

“Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”



“Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5, 9)

Segundo o dicionário, “Pacificador” é “aquele que pacifica”. Esta palavra nasce da palavra “paz” e são pacíficos aqueles que forem amigos da paz e da ordem, pessoas tranquilas e sossegadas, que não gostam de criar conflitos ou problemas. No dicionário até se pode encontrar um termo sinónimo mais audaz: um pacífico é aquele que “não recorre à força armada”!

Por vezes, há quem diga que pela paz, até será lícito recorrer às armas. No entanto, penso que essa atitude contradiz totalmente a vontade de paz que dizem ter.

Claro que toda esta questão dos conflitos e discussões, não nos deve remeter a um silêncio de abstenção ou indiferença, perante o que está certo e o que está errado.

Também há que se entender que ao ser-se tranquilo e sossegado, não quer dizer que se deva estar cada qual no seu canto, a ver e a acenar à história, sem qualquer atitude ou posição.


Um pacificador, até diria, um verdadeiro pacífico, criará a paz não tanto pelas palavras, mas antes com as suas atitudes.

Nos nossos tempos, isto parece-nos uma utopia. Todos os dias deparamo-nos com situações tão injustas que por vezes, até dizemos que só pela guerra e violência, é possível fazer a justiça.

Eu mesma, penso assim algumas vezes, tendo em consideração tanta violência e atrocidade que vejo no mundo.

Mas será que a violência resolve alguma coisa? 

As duas guerras mundiais que a Europa conheceu no século XX, será que resolveram alguma coisa?

Os regimes ditatoriais que punem violentamente as posições contrárias foram, alguma vez, exemplos de justiça?

Pensando bem, nenhum dos conflitos, de que me lembro, resultou em paz. O que resultou foi numa “aparente paz” que pela força calou a alguns e deixou falar outros. 



A meu ver, todas as sociedades nascidas de uma guerra são exemplos de política ditatorial.

Diante destas perguntas acerca da paz e da guerra, deparo-me com o Papa Francisco.

Nos últimos anos, a Igreja Católica tem sido alvo de várias perseguições. Aliás, ela é uma das mais visadas pelos ataques suicidas dos extremistas muçulmanos. E para além disso, há sempre quem pense que a Igreja Católica é antiquada e que os seus valores já não interessam à sociedade moderna e avançada dos nossos tempos.

Quem está atento à perseguição religiosa no mundo sabe que no Egito, para além da ameaça à vida, também esta perseguição tem um caráter social, negando-se aos cristãos empregos e até mesmo impondo-se contra eles um boicote, a lembrar-me o que ocorreu aquando da perseguição aos judeus, efetuada pelo ditador Hitler, no século XX.

Porém diante destas cruéis perseguições a Cristo, Jesus chama-nos à paz:

Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5, 9)


Diante de tudo o que nos acontece e vemos neste mundo, temos que optar se queremos ser filhos de Deus ou não.

E apenas os pacificadores serão “chamados filhos de Deus”.

Esta bem-aventurança de Jesus fundamenta-se na Bíblia.

Aliás, esta escolha pela guerra e pela paz vem dos primeiros tempos dos patriarcas de Israel:

“Isaac pediu a protecção do SENHOR para a sua mulher, que era estéril. O SENHOR ouviu-o e Rebeca, sua mulher, concebeu. As crianças lutavam no seu seio, e ela disse: «Se isto devia suceder, para que havia eu de conceber?» E foi consultar o SENHOR, que lhe respondeu: «Duas nações estão no teu seio: dois povos sairão das tuas entranhas. Um prevalecerá sobre o outro, e o mais velho servirá o mais novo.» Quando chegou o tempo em que devia dar à luz, saíram dois gémeos do seu seio. O primeiro que nasceu era ruivo, todo coberto de pêlos como se fosse um manto, e por isso lhe deram o nome de Esaú. Depois, saiu o irmão, segurando com a mão o calcanhar de Esaú. E por isso lhe deram o nome de Jacob. Quando eles vieram ao mundo, Isaac tinha sessenta anos. As crianças cresceram. Esaú fez-se hábil caçador, um homem dos campos, ao passo que Jacob era um homem tranquilo, que habitava em tendas. Isaac preferia Esaú, porque gostava de caça, mas a ternura de Rebeca ia para Jacob.” (Gênesis 25, 21-28)

Quem conhece a história bíblica de Jacó e Esaú, que a todos recomendo ler, sabe bem como esta história irá terminar. Será muito complicado para Esaú, o primeiro, aquele considerado o escolhido para líder, ver-se, depois suplantado pela sabedoria pacificadora de Jacó.

Outro exemplo de vida bíblico encontra-se em Salomão que apesar do seu pai David ter sido um guerreiro próspero e vitorioso, a paz só foi vivida pelo povo de Israel no reinado de Salomão. David, ao fim da sua vida, assim disse ao seu filho:

Disse-lhe: «Meu filho, eu estava decidido a construir uma casa ao nome do Senhor, meu Deus. Mas a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: ‘Tu derramaste muito sangue e fizeste grandes guerras. Não construirás uma casa ao meu nome, pois derramaste, diante de mim, muito sangue sobre a terra. Nascer-te-á um filho que será um homem pacífico; dar-lhe-ei paz com todos os seus inimigos ao redor. O seu nome será Salomão e, nos seus dias, darei paz e calma a Israel. Ele edificará uma casa ao meu nome, será para mim um filho e Eu serei para ele um pai. Firmarei para sempre o trono da sua realeza sobre Israel.’ Portanto, que o Senhor esteja contigo, meu filho, para que prosperes e construas o templo do Senhor, teu Deus, segundo o que Ele disse de ti. Que o Senhor se digne conceder-te sabedoria e inteligência, quando te fizer reinar sobre Israel, para que observes a Lei do Senhor, teu Deus. Então, prosperarás, se te aplicares à observância das leis e dos mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés, para Israel. Sê forte e corajoso, não temas nem te amedrontes.” (I Crônicas 22, 7- 13)

Nos salmos, há também uma grande promessa de Deus:
Observa o homem honrado, repara no homem justo, porque o homem de paz terá descendência”. (Salmos 37(36), 37)

Quando Jesus manda os discípulos às cidades para pregarem a sua palavra, eis as suas recomendações:

Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós." (São Lucas 10,1- 6)

Os apóstolos de Jesus perpetuaram esta missão de paz, mesmo em meio às furiosas perseguições dos primeiros tempos da Igreja. Assim disse São Pedro, o primeiro papa:

“Finalmente, tende todos o mesmo pensar e os mesmos sentimentos, o amor de irmãos, a misericórdia e a humildade. Não pagueis o mal com o mal, nem a injúria com a injúria; pelo contrário, respondei com palavras de bênção, pois a isto fostes chamados: a herdar uma bênção." (I São Pedro 3, 8- 9)



Ser pacífico, nos nossos tempos poderá parecer um desafio, que talvez vá para muito além do humanamente racional.

Porém, a história revela-nos que efetivamente, são os pacíficos que herdam uma verdadeira glória humana, pela sua memória que se torna eterna pelas gerações vindouras.


Efetivamente a paz de Deus não é a paz humana. 

A paz que vem de Deus ultrapassa toda a paz pensada e planeada pelos seres humanos. 

Por isso, Jesus disse a seus apóstolos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se assuste.”(São João 14, 27) 

Bibliografia:

Informação do significado das palavras “pacificador” e “pacífico” consultada no site:

Para estar atualizado acerca da perseguição religiosa aos cristãos no mundo convido-vos a conhecer o site “Portas abertas – Servindo cristãos perseguidos” em:
www.portasabertas.org.br/

As pinturas apresentadas são originais pintados por Gráccio Caetano:
www.gracciocaetano.com