sábado, 16 de setembro de 2017

A Armadura de Deus - Parte II: Revesti-vos da armadura de Deus!



"Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo. Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus. Por isso, tomai a armadura de Deus, para que tenhais a capacidade de resistir no dia mau e, depois de tudo terdes feito, de vos manterdes firmes." (Efésios 6, 11-13)

São Paulo não me faz um pedido, mas diz-me, com toda a autoridade, que se eu quiser me manter de pé, tenho de me revestir da armadura de Deus.

Segundo o dicionário, “Revestir”, é “tornar a vestir, cobrir; tapar, fazer o revestimento. Ou seja, tenho de me vestir por completo com a armadura de Deus, aliás tenho que fazer com que esta armadura de Deus possa me tapar inteira, protegendo-me completamente, para que possa me manter de pé diante das contrariedades do mal.

Aqui não existem opções. Ou me revisto desta armadura de Deus, ou então, certamente irei cair diante das dificuldades que, certamente, se porão à minha frente.



Mas afinal, de que devemos nos proteger? São Paulo diz-nos claramente: das maquinações do diabo, dos Principados, das Autoridades e dos Dominadores deste mundo de trevas, bem como dos espíritos do mal que estão nos céus. E para além disso, temos de nos precaver, pois chegarão os chamados "dias maus", pelos quais temos de passar durante a nossa vida.

São Paulo denomina o que poderá nos ameaçar e alerta-nos ainda no versículo 12: “Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus.

Por vezes, penso que a minha guerra é contra pessoas. Coloco muitas vezes a culpa nos outros, em situações e coisas materiais para este ou aquele flagelo que me aconteceu. Porém, São Paulo avisa-me que, enquanto pensar assim, acabo por me desviar do verdadeiro alvo.

Esta dramática situação do mundo, que «está todo sob o poder do Maligno» (1 Jo 5, 19) (Cf. 1 Pe 5, 8.), transforma a vida do homem num combate: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há-de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior» (II Concílio do Vaticano. Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055.)” (Catecismo da Igreja Católica nº 409)

Há alguns dias, o Papa Francisco esteve na Colômbia e a mídia manteve-se quase que silenciosa a respeito desta sua visita pastoral. No entanto, eis que o Papa Francisco se desequilibra no papa-móvel, em Cartagena, na Colômbia, batendo a cara numa as estruturas do carro, magoando-se sem muita gravidade. No entanto, esta queda, foi notícia em todos os jornais e redes de televisão.

Este é um pequeno exemplo, que prova o quanto o mundo está ansioso pelo mal. Notícias boas raramente são alvo de atenção. O que realmente é falado abertamente é o que choca, o que de mais negativo invade o mundo.

Nisto percebo o porquê de São Paulo falar dos tais Principados, Autoridades e Dominadores deste mundo de trevas. Dia após dia, percebe-se este galgar nas trevas a partir destas opções humanas por valorizar o negativo, incentivar a perda, enaltecer a catástrofe. A pessoa humana torna-se refém das suas fragilidades, e o desânimo instala-se em seu coração, acomodando-a às situações que lhe parecem imutáveis e ligadas a uma sina indestrutível. 

A tentação apresenta-se-nos de modo traiçoeiro, contagia todo o ambiente que nos circunda, leva-nos a procurar sempre uma justificação. E no fim faz-nos cair no pecado, fechando-nos numa jaula da qual é difícil sair. Para lhe resistir é preciso ouvir a palavra do Senhor, porque «ele nos espera», dá-nos sempre confiança e abre diante de nós um novo horizonte.” (síntese da reflexão do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de terça-feira 18 de Fevereiro de 2014).



O diabo já está derrotado, porém ele não quer ir sozinho para o caminho que já lhe está destinado. O ser humano é o seu grande alvo principal, pois sabe que ao magoar e fazer perder o ser humano, estará também a tirar de Deus, as suas criaturas amadas. E o mal gosta de justificar-se, trazendo companhia para não mostrar que é o único. Ele gosta de tornar o ser humano incapaz de lutar contra as suas limitações, pois assim é mais fácil leva-lo à descrença acerca da Bondade de Deus e à soberba por julgar-se capaz por si próprio para lutar sozinho.

Inicialmente a tentação «começa com um ar tranquilizador»?, mas «depois aumenta. O próprio Jesus o dizia quando contou a parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-30). O grão crescia, mas crescia também o joio semeado pelo inimigo. E assim também a tentação, cresce, cresce, cresce. E se não a bloqueamos, invade tudo». Depois vem o contágio. A tentação «cresce mas não gosta da solidão»; portanto «procura companhia, contagia outro e assim acumula pessoas». Outro aspecto é a justificação, porque nós homens «para estarmos tranquilos justificamo-nos».” (Meditações do Papa Francisco na missa celebrada em Santa Marta em 18 de Fevereiro de 2014).

Quando o ser humano se conscientiza que é uma pérola preciosa de Deus, evidenciando a sua natureza única na Criação bela de Deus, assume o seu valor único e incalculável pelo que é, e pela missão que lhe está destinada neste mundo.

O diabo, por sua vez, quer de todas as maneiras que foquemos no mal, no que de mais perverso há nos outros e em nós mesmos.  Por isso abunda no mundo, autoridades destinadas a tirar o que há de mais sagrado no ser humano: a sua vida, desde a concepção no útero até a sua morte, a sua identidade biológica como homem e mulher que se complementam bem como a sua ação única no universo com os seus dons e carismas específicos de cada um.

Então, toda esta reflexão daquela parábola do trigo e do joio contada por Jesus serve-me de ensinamento:

Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Foi algum inimigo meu que fez isto - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Ele respondeu: Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.»”(São Mateus 13, 24- 30)



Assim como este trigo que é semeado para dar fruto, é cercado pelo joio que o tenta emudecer e matar, igualmente o mundo assim se mostra não apenas no tempo de Jesus, como também nos nossos tempos. A meu entender, pela leitura que faço da história da civilização, que esta parábola do trigo e do joio que crescem juntos, traduz toda a vida humana nesta terra, desde os seus primórdios.

O ensinamento da parábola é dúplice. Antes de tudo recorda que o mal existente no mundo não deriva de Deus, mas do seu inimigo, o Maligno. É curioso, o Maligno sai à noite para semear o joio, na escuridão, na confusão; sai para semear o joio onde não há luz. Este inimigo é astuto: semeou o mal no meio do bem, de tal forma que para nós, homens, é impossível separá-lo claramente; mas no final Deus conseguirá fazê-lo!”(Papa Francisco na oração do Angelus de 20 de julho de 2014).

Existem realmente muitos que dizem que é melhor retirar o joio, "matar o mal pela raiz", como dizem, e nós humanos gostamos de dar soluções fáceis para problemas difíceis. Porém, o Senhor do campo é paciente, pois sabe que as aparências enganam, e que felizmente, ainda há muito trigo escondido em meio ao joio. Deus vê o seu campo de trigo a crescer com o joio e aguarda pela colheita, quando já se pode separar, com certeza, o que é o joio e o que é o trigo.

A atitude do dono do campo é aquela da esperança fundada na certeza de que o mal não é a primeira nem a última palavra. E é graças a esta esperança paciente de Deus que o próprio joio, ou seja, o coração maldoso, com muitos pecados, no final pode tornar-se uma boa semente. Mas atenção: a paciência evangélica não é indiferença diante do mal; não se pode fazer confusão entre o bem e o mal! Perante o joio presente no mundo, o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, a alimentar a esperança com o alento de uma confiança inabalável na vitória final do bem, ou seja, de Deus.”(Papa Francisco na oração do Angelus de 20 de julho de 2014).

Deus quer que todos se salvem, porém respeitará a nossa opção!

Deus não predestina ninguém para o Inferno (II Concílio de Orange, Conclusio: DS 397; Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decr: de iustificatione, canon 17: DS 1567). Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, «que não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam» (2 Pe 3, 9): «Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa família, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos» (Oração Eucarística I ou Cânone Romano, 88: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 450 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 518]). (Catecismo da Igreja Católica nº. 1037)



Jesus, mais adiante no mesmo evangelho, explica também esta parábola aos seus discípulos:

Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!».”(São Mateus 13, 36- 43)

Jesus, assim explica aos seus discípulos e em particular, sobre o significado da parábola do joio e do trigo, usando palavras muito fortes que são finalizadas com uma advertência:  "Aquele que tem ouvidos, oiça!"

Com efeito, no final o mal será arrancado e eliminado: no tempo da colheita, isto é do juízo, os ceifeiros cumprirão a ordem do senhor, separando o joio para o queimar (cf. Mt 13, 30). Naquele dia da ceifa final o Juiz será Jesus, Aquele que lançou a boa semente no mundo e, tornando-se Ele mesmo «grão de trigo», morreu e ressuscitou. No final, todos nós seremos julgados com a mesma medida com a qual tivermos julgado: a misericórdia que tivermos usado em relação aos outros será utilizada também para connosco. Peçamos a Nossa Senhora, nossa Mãe, que nos ajude a crescer na paciência, na esperança e na misericórdia com todos os irmãos.” (Papa Francisco na oração do Angelus de 20 de julho de 2014)

Não devemos fingir que o mal não existe, ou que o mal já venceu… A história humana nestes séculos de existência em meio a guerras, doenças e cataclismas prova exatamente o contrário, pois no fim de tudo, eis que a caridade sara as feridas e o bem reconstrói os corações. Os verdadeiros heróis da história não estão nos manuais da escola pois estes não erguem as espadas, mas sim são os que lentamente, tijolo a tijolo, reerguem as sociedades humanas em alicerces seguros que são os valores morais que levam à paz e a concórdia entre os povos.

“Por isso, tomai a armadura de Deus, para que tenhais a capacidade de resistir no dia mau e, depois de tudo terdes feito, de vos manterdes firmes.” (Efésios 6, 13)

Afinal, todo este suposto “domínio das trevas”, apesar de nefasto e homicida, está derrotado na cruz de Jesus. Assim como no tempo do apóstolo São Paulo, hoje também estamos nesta luta espiritual, e apesar de tanto alarde que é feito, surgem sempre flores perfumadas no meio dos pântanos, janelas abrem-se em direção ao céu apesar da escuridão da terra, o trigo cresce nas cearas entre o joio que o tenta limitar e sucumbir…




(Continua no próximo artigo)


Deixo aqui alguns links de histórias recentes em que pessoas heroicamente persistem e mudam o rumo da história, reconstruindo-a, apesar das perseguições e perdas:

Bibliografia:

Palavras bíblicas consultadas em

Frases do Papa Francisco e do Catecismo da Igreja Católica consultados em:
www.vatican.va/

Pinturas de Gráccio Caetano
www.gracciocaetano.com

Fotos de Rosária Grácio

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Armadura de Deus - I Parte: Tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa!



Na carta aos Efésios, São Paulo fala da armadura de Deus no capítulo 6, versículos 10 a 20. Esta leitura é uma das usadas na oração do Cerco de Jericó como cura e libertação.

Pessoalmente, ao ler esta leitura sinto uma grande força e fé, pelo que vou dedicar os próximos artigos na reflexão profunda desta armadura de Deus tão necessária nos nossos tempos.

O versículo nº10 intensifica todo este poder que irá ainda nos versículos seguintes crescer gradualmente:  "Finalmente, tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa." (Efésios 6, 10)

São Paulo convida a todos a se tornarerm fortes no Senhor e na sua força poderosa e isto é dito com total confiança.


"Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias da tua vida passada. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não te esqueças de que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz e para o Reino de Deus". (São Leão Magno, Sermo 21, 3: CCL 138, 88 (PL 54, 192-193)."(Catecismo da Igreja Católica nº 691)

Se descobrimos uma luz, porquê apaga-la? Se acreditas em Deus, porquê voltar para trás, depois de encontra-Lo?




"Cristo Jesus fez sempre aquilo que era do agrado do Pai (Cf. Jo 8, 29). Viveu sempre em perfeita comunhão com Ele. De igual modo, os seus discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, «que vê no segredo» (Mt 6, 6), para se tornarem «perfeitos como o Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 47)." (Catecismo da Igreja Católica nº1693)


Quem encontra Deus em sua vida, encontra a verdadeira felicidade. Esta alegria não só fomentou a esperança dos mártires, também faz avançar os cristãos diante das tormentas da vida e faz reerguer quem está abatido em suas perdas espirituais e materiais.


"O caminho de Cristo «leva à vida»; um caminho contrário «leva à perdição» (Mt 7, 13) (Cf. Dt 30, 15-20). A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. E significa a importância das decisões morais para a nossa salvação. «Há dois caminhos, um da vida, outro da morte: mas entre os dois existe uma grande diferença» (18. Didaké 1, 1: SC 248, 140 (Funk 1, 2)." (Catecismo da Igreja Católica nº1696)



Crer em Deus é escolher um caminho e é neste caminho que deve-se manter. Como quem encontra uma pedra preciosa que enche o seu coração na verdadeira felicidade, assim sente aquele que descobre Deus em sua vida.


"Ele salva e Ele liberta, faz milagres e prodígios no céu e na terra: foi Ele quem livrou Daniel das garras dos leões." (Daniel 6, 28)" 

Jesus ensinou-nos por várias vezes o quanto este sentir e viver em Deus torna-nos capazes de muitos prodígios e receptáculos de bênçãos não só para nós mesmos mas muito mais para os que nos rodeiam.


"Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados."(São Marcos 16, 17-18)


Quem encontra Jesus, encontra Nele, tudo o que deseja e segue-O. E seguir Jesus exige muito mais do que simples "sim" dos lábios.

"Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la."(São Mateus 10, 38-39)

Este seguir Jesus não é um simples seguir com passos em uma estrada. O seguir Jesus em sua vida diária promove-se dia após dia nessa descoberta da sua Palavra, vivendo-a na sua vida, com a coragem de carregar a cruz das suas limitações físicas e espirituais, empenhando-se a ser todos os dias, um pouco mais de Deus. 


"A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira de quantos se encontram com Jesus. Aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo a alegria nasce e renasce sempre (cf. Ex. ap. Evangelii Gaudium, 1). Hoje somos exortados a contemplar a alegria do camponês e do mercador das parábolas. É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença confortadora de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma o coração e nos abre às necessidades e ao acolhimento dos irmãos, sobretudo dos mais débeis."(Papa Francisco - Ângelus de 30/07/2017)


(Continua no próximo artigo)

Bibliografia:

O Catecismo da Igreja Católica e as palavras do Papa Francisco foram consultados em: 
www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3-intr_1691-1698_po.html

As citações bíblicas foram consultadas em:
www.capuchinhos.org/

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sou uma pessoa de primavera ou de outono?



Sou uma pessoa de primavera ou de outono?”. De primavera, que espera a flor, que aguarda o fruto, que se põe à espera do sol que é Jesus, ou de outono, sempre cabisbaixo, amargurado e, como às vezes eu disse, com a cara de pimenta avinagrada.” (Palavras do Papa Francisco no dia 23 de agosto de 2017 na sua audiência geral de quarta-feira).

Esta pergunta do Papa Francisco inquietou-me. 

Nos últimos tempos, temos vivido momentos de instabilidade social, política e até mesmo cultural em todo o mundo.

O ser humano inquieta-se com o futuro e ao mesmo este futuro parece sem esperança...


Se vermos as catástrofes ambientais que inundam o planeta, se prestarmos atenção aos atentados e às perseguições, que mesmo em sociedades ditas civilizadas estão a decorrer, sentimos-nos sem esperança no futuro...

Ter esperança neste mundo de tantas lutas e contradições, parece cada vez mais utópico a cada dia.  Porém, é agora, nestes tempos tão conturbados, em que a esperança é realmente crer naquilo que não se vê.

O que é ter esperança?

"Foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que ele (Abraão) acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência". (Romanos 4, 18)

A história de Abrão e de muitos outros personagens bíblicos (Jó, Tobias, etc), nos indicam o quanto a esperança tem a força necessária para vencer todas as contrariedades.

A esperança é uma das três virtudes teologais.

"As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão, informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus e assim merecerem a vida eterna. São o penhor da presença e da acção do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade".(Cf. 1 Cor 13, 13.). (Catecismo da Igreja Católica nº 1813)


Ter esperança é acreditar, antes mesmo de se ver, ou de acontecer… A esperança reside nesta confiança plena em Deus, mesmo e apesar de quaisquer ventos contrários.

"Tu és a minha esperança, ó Senhor DEUS, e a minha confiança desde a juventude. Em ti me apoio desde o seio materno, desde o ventre materno és o meu protector; és o objecto contínuo do meu louvor.” (Salmos 71(70), 5-6)"

Assim disse o Papa Francisco na Audiência Geral de Quarta-feira no dia 31 de maio de 2017: “A Carta aos Hebreus compara a esperança a uma âncora (cf. 6, 18-19); a esta imagem podemos acrescentar a da vela. Se a âncora é o que dá à barca a segurança e a mantém “na corada” entre as ondas do mar, ao contrário a vela é o que a faz caminhar e avançar sobre as águas. A esperança é deveras como uma vela; ela recolhe o vento do Espírito Santo e transforma-o em força motriz que impele a barca, dependendo das circunstâncias, ao largo ou à beira-mar.


Jesus ensinou-nos a ter esperança, aliás toda a sua vida na terra foi alicerçada na esperança. As bem-aventuranças nascem do Seu coração cheio de esperança.

"A esperança cristã manifesta-se, desde o princípio da pregação de Jesus, no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam a nossa esperança para o céu, como nova terra prometida e traçam-lhe o caminho através das provações que aguardam os discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos do mesmo Jesus Cristo e da sua paixão, Deus guarda-nos na «esperança que não engana» (Rm 5, 5). A esperança é «a âncora da alma, inabalável e segura» que penetra [...]«onde entrou Jesus como nosso precursor» (Heb 6, 19-20). É também uma arma que nos protege no combate da salvação: «Revistamo-nos com a couraça da fé e da caridade, com o capacete da esperança da salvação» (1 Ts 5, 8). Proporciona-nos alegria, mesmo no meio da provação: «alegres na esperança, pacientes na tribulação» (Rm 12, 12). Exprime-se e nutre-se na oração, particularmente na oração do Pai-Nosso, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar." (Catecismo da Igreja Católica nº 1820)

A oração do Pai-Nosso traz em si mesma esta confiança em Deus, Nosso Pai, e é esta a esperança que deve nutrir o nosso coração ainda mais nestes tempos conturbados.

Se cremos que Deus é nosso Pai ao rezar o Pai-Nosso, então devemos ter esperança, orando em todo o tempo e lugar, sem nos deixarmos invadir pelas perdas terrenas.


Na passada semana estive a ver o filme da vida de Santa Teresa de Ávila e um dos momentos que mais me impressionou, foi quando no fim da sua vida, Teresa já sem forças, ainda tinha uma grande vontade de fundar conventos com a regra primitiva das carmelitas. Nessa altura, parecia que todo o seu trabalho estava a cair, pois em alguns conventos já não viviam a rigidez da regra. Porém, a esperança destas pessoas santas, é este acreditar naquilo que parece perdido, esperar o florescer do que parece já ter acabado.

"Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração." (Romanos 12, 12)

Termino esta reflexão novamente com as palavras de Papa Francisco na sua audiência geral de quarta-feira de 23 de agosto de 2017:


Acreditamos e sabemos que a morte e o ódio não são as últimas palavras pronunciadas sobre a parábola da existência humana. Ser cristão implica uma nova perspetiva: um olhar cheio de esperança. Alguns julgam que a vida encerra todas as suas felicidades na juventude e no passado, e que o viver é uma lenta decadência. Outros ainda acham que as nossas alegrias são apenas episódicas e passageiras, e que na vida dos homens está inscrita a insensatez. Há aqueles que, diante de tantas calamidades, dizem: “Mas a vida não tem sentido. O nosso caminho é a insensatez”. Mas nós cristão não acreditamos nisto. Ao contrário, cremos que no horizonte do homem existe um sol que ilumina para sempre. Acreditamos que os nossos dias mais bonitos ainda devem chegar. Somos pessoas mais de primavera do que de outono. Gostaria de perguntar agora — cada qual responda no seu coração, em silêncio, mas responda — “Sou um homem, uma mulher, um jovem, uma jovem de primavera ou de outono? A minha alma está na primavera ou no outono?”. Cada um responda a si mesmo.” 

Neste momento, convido-te a rezar o Ato de Esperança:


Meu Deus, porque sois omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às Vossas promessas, eu espero da Vossa bondade que, em atenção aos méritos de Jesus Cristo, nosso Salvador, me dareis a vida eterna e as graças necessárias para a alcançar, como prometestes aos que praticassem as boas obras, que eu me proponho realizar ajudado com o auxílio da Vossa divina graça. Senhor, minha esperança, na qual quero viver e morrer: jamais serei confundido. Ámen.

Bibliografia

Frases bíblicas consultadas em:
www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=2Ts_3


Catecismo da Igreja Católica:

As palavras do Papa Francisco foram consultadas em

Veja mais vídeos de orações católicas em:
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domingo, 30 de julho de 2017

O que desejas de Deus para a tua vida?



Hoje, ao ouvir a primeira leitura da missa, do Livro de 1º Reis 3,5-15, fiquei impressionada com a resposta de Salomão dada a Deus quando Este perguntou-lhe: 

-  Pede! Que posso Eu dar-te?.

Desde muito nova, o personagem bíblico Salomão sempre me chamou a atenção. Quase sempre ele é conotado com aquela célebre decisão em conhecer a verdadeira mãe daquela criança que era disputada por duas mulheres. (1º Reis 3,16-28)

Se Deus se aproximasse de mim, perguntando-me:
- Pede! Que posso Eu dar-te?

Qual seria a minha resposta?

Todos os cuidados materiais deste mundo certamente encheriam a minha cabeça e talvez rapidamente estaria ali a pedir-Lhe uma casa, um estatuto social, riqueza e outros tantos bens materiais que certamente necessitaria para ser humanamente feliz.

E se não fossem estes cuidados materiais, pensaria numa cura de uma doença, num emprego estável e bem remunerado, em ter uma vida calma até o fim dos meus dias nesta terra.

Mas eis que Salomão, ainda jovem, adianta-se no tempo e no espaço de si mesmo; e pede a Deus algo bem mais precioso que todas estas coisas findáveis, apesar de humanamente necessárias.

Salomão respondeu: «Tu trataste o teu servo David, meu pai, com grande misericórdia, porque ele andou sempre na tua presença com lealdade, justiça e rectidão de coração para contigo; conservaste para com ele essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono. Agora, Senhor, meu Deus, és Tu também que fazes reinar o teu servo em lugar de David, meu pai; mas eu não passo de um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar. O teu servo encontra-se agora no meio do teu povo escolhido, um povo tão numeroso que ninguém o pode contar nem enumerar, por causa da sua multidão. Terás, pois, de conceder ao teu servo um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal. De outro modo, quem seria capaz de julgar o teu povo, um povo tão importante?»” (1º Reis 3,6-9)

Ao ler devagar o pedido de Salomão a Deus, percebo o quanto ainda não tinha realmente me debruçado sobre esta sabedoria de Salomão que tanto o honrou em toda a sua vida.

Se ler com calma cada frase que antecedeu o seu pedido a Deus, percebe-se que Salomão quando fez o seu pedido, não pensou em si próprio.

Para começar, ele disse: “«Tu trataste o teu servo David, meu pai, com grande misericórdia, porque ele andou sempre na tua presença com lealdade, justiça e rectidão de coração para contigo; conservaste para com ele essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono.” (1º Reis 3,6)

Salomão, nesta sua primeira frase a Deus, agradece primeiramente as suas origens, lembrando-se do seu pai David. Ele revela uma imensa gratidão a Deus, especialmente pelas graças dadas ao seu pai David, especialmente por este ter tido um filho, que é o próprio Salomão. Quem conhece a história bíblica de David, sabe que este não foi uma pessoa tão leal, justa ou reta como diz Salomão. Sim, David arrependeu-se das suas falhas, algumas muito graves e demonstrou imenso arrependimento, tornando-se justo e endireitando as suas escolhas inicialmente erradas. 

O que justifica um ser humano perante Deus é exatamente este querer corrigir o que de mal fez. 

Todos nós erramos e caímos. A nossa fé em Deus concentra-se neste levantar da lama das nossas falhas e depois corrigi-las. 

A grandeza dos filhos de Deus está nesta busca incessante pela perfeição a partir dos pequenos gestos. 

David o provou que é possível. Efetivamente ele tornou-se, aos poucos, um homem cada vez mais digno ao longo da sua vida.


Salomão não lembra os erros do seu pai. Antes, glorifica os acertos deste, agradecendo a Deus esta graça que seu pai David lhe ensinou e pela sua busca de santidade que o fez digno, como rei e como pai, ao longo da sua vida.

Salomão considera-se um gesto de misericórdia de Deus para seu pai – “…conservaste para com ele (David) essa grande misericórdia, concedendo-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono.”

Assim, Salomão inicia o seu pedido a Deus com uma oração de louvor e de gratidão a Deus, pelo seu passado, especialmente por lhe ter concedido a graça de nascer e de ter como pai, o rei David.  

"Antes de mais, uma constatação deveria surpreender-nos. É que, quando louvamos a Deus ou Lhe damos graças pelos seus benefícios em geral, não nos importamos nada com saber se a nossa oração Lhe é agradável, ao passo que exigimos ver o resultado da nossa petição. Qual é, então, a imagem de Deus que motiva a nossa oração: um meio a utilizar ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?" (Catecismo da Igreja Católica nº 2735)

Salomão ensina-me que antes de pedir qualquer coisa a Deus, o nosso coração tem de ser grato e ao mesmo tempo, cheio de perdão para com os nossos antepassados. Só assim podemos recomeçar a nossa história. Se não perdoarmos os nossos antepassados, como poderemos seguir livres de todo o mal que continuamente lembramos de geração em geração. 

Perdoar é a chave que nos liberta do mal feito pelos outros. E para além disso, agradecer a Deus por termos nascido, pois este nosso nascimento é uma grande misericórdia de Deus na vida dos nossos progenitores.

"A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos (Cf. Mt 5, 43-44). Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (Cf. 2 Cor 5, 18-21) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si (Cf. João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 14: AAS 72 (1980) 1221-1228.)". (Catecismo da Igreja Católica nº 2844)



Agora vou meditar a segunda parte do pedido de Salomão a Deus:
“Agora, Senhor, meu Deus, és Tu também que fazes reinar o teu servo em lugar de David, meu pai; mas eu não passo de um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar. O teu servo encontra-se agora no meio do teu povo escolhido, um povo tão numeroso que ninguém o pode contar nem enumerar, por causa da sua multidão.” (1º Reis 3,7-8)

Nesta segunda parte, Salomão coloca diante de Deus, a sua fragilidade diante do alto cargo que lhe está destinado por ser filho de David. Aliás, ele diz que é “um jovem inexperiente que não sabe ainda como governar”

Salomão declara-se impotente para o cargo de rei que lhe destinaram. Diz abertamente a Deus que sozinho e humanamente, apenas a contar com as suas capacidades, não irá conseguir realizar bem o cargo que lhe destinaram.

Salomão derrama-se no colo de Deus e diz, humildemente, que não conseguirá sozinho realizar o que lhe pedem para fazer. 

Depois louva o povo que tem para governar, a sua história e a sua quantidade, que é para além das suas capacidades humanas. 

"A bênção exprime o movimento de fundo da oração cristã: ela é o encontro de Deus com o homem; nela se encontram e unem o dom de Deus e o acolhimento do homem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode responder bendizendo Aquele que é a fonte de toda a bênção." (Catecismo da Igreja Católica nº 2626)

Salomão não fala mal nem aponta as fragilidades do povo de Israel. Salomão não aponta defeitos para o cargo que irá ocupar. Ele assume-se como o próprio “defeito”. Não está nos outros o erro, o mal, a fragilidade e a incapacidade. Salomão assume para si próprio todo este erro, mal, fragilidade e incapacidade. É ele, Salomão, que é o mais fraco entre todos que irá governar, e por isso assume-se o mais pequeno em todo o povo que irá governar.

Salomão ensina-me nesta segunda parte do seu pedido a Deus, que nunca devemos apontar culpas aos outros pelas nossas incapacidades. Na verdade, é a partir de nós mesmos que começa esta  fragilidade.

Ninguém é capaz de fazer, seja o que for, se estiver a contar apenas com as suas próprias habilidades e capacidades.

E então após estes dois primeiros passos é que Salomão faz o derradeiro pedido a Deus:

“Terás, pois, de conceder ao teu servo um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal. De outro modo, quem seria capaz de julgar o teu povo, um povo tão importante?” (1º Reis 3,9)

Então Salomão pede a Deus, não honras, nem riquezas materiais, nem vitórias nas batalhas que travaria …

Salomão pede “um coração cheio de entendimento para governar o teu povo, para discernir entre o bem e o mal”.

Salomão pede que Deus lhe conceda um bem que só Deus poderia dar a um ser humano.  E depois justifica-se, que esse bem que lhe pede, não é para ele próprio, mas para que possa governar o povo de Deus, discernindo entre o bem e o mal e assim reinando com a justiça que este povo de Deus tanto merece.

Salomão, mais uma vez, mostra-se humilde em seu pedido, pois se avança com tal desejo, não é para consolo terreno, antes, para que possa ser capaz de governar com justiça.

Eu aprendo com Salomão, que se alguma vez, pedir a Deus, devo dar estes três passos: louvor, agradecimento e perdão.
São três passos que se unem numa só palavra: humildade.

Se formos capazes de rezar a Deus com verdadeira humidade como o fez Salomão, penso que Deus não negaria nada que lhe pedíssemos.

E realmente, após esta demonstração de imensa humildade, eis que Deus concede a Salomão não só o seu pedido mas muito e para além do que Lhe foi pedido:

“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor, que lhe disse: «Já que me pediste isso e não uma longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sim o discernimento para governar com rectidão, vou proceder conforme as tuas palavras: dou-te um coração sábio e perspicaz, tão hábil que nunca existiu nem existirá jamais alguém como tu. Dou-te também o que nem sequer pediste: riquezas e glória, de tal modo que, durante a tua vida, não existirá rei que te seja igual. Se andares nos meus caminhos e observares as minhas ordens como fez David, teu pai, dar-te-ei uma longa vida.»” (1º Reis 3,10-14)

E então, eis que Deus concede não só o que Salomão pediu mas dá-lhe ainda mais, aliás, oferece-lhe o que humanamente qualquer pessoa iria necessitar. Deus sabe do que precisamos e conhece as fragilidades humanas. Por isso, Deus adianta-se a conceder-lhe tudo o que advém de uma vida com sabedoria.

Se a sabedoria não estiver em nossas ações, pensamentos e sentimentos, como poderemos escolher entre o mal e o bem?

"A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo. Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Pertencem em plenitude a Cristo, filho de David (Cf. Is 11, 1-2). Completam e levam à perfeição as virtudes de quem os recebe. Tornam os fiéis dóceis, na obediência pronta, às inspirações divinas. «Que o vosso espírito de bondade me conduza pelo caminho recto» (Sl 143, 10). «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus [...]; se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo» (Rm 8, 14.17). (Catecismo da Igreja Católica nºs. 1830-1831)


Tudo encontra-se na sabedoria que vem de Deus. Sem a sabedoria em Deus, não somos capazes de discernir o que é bom ou mau para nós.

A sabedoria de Deus é capaz de ir além do que se vê no horizonte do dia de hoje. A sabedoria de Deus lê as páginas da nossa vida, uma após outra, e então desenha o que é bom e mau para nós.

O nosso entendimento humano é incapaz de chegar tão longe.

Salomão percebeu isso, e então foi capaz de alcançar de Deus tamanha graça, pelo caminho pequenino de um coração humilde perante Deus.


Então, quando colocar algum pedido diante de Deus, aprenderei com a humildade de Salomão com estes três passos: louvor, agradecimento e perdão. 

(Autora: Rosária Grácio)


Bibliografia:
Passagens bíblicas consultadas em:

Frases do Catecismo da Igreja Católica consultadas em:

Fotos de Rosária Grácio

Pinturas de Gráccio Caetano