Rosária Grácio partilha neste blogue as suas reflexões, enquanto faz a sua caminhada cristã católica, saboreando a Palavra de Deus e fazendo-a luz para os seus passos.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
domingo, 11 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
sábado, 3 de dezembro de 2016
Viver a Coroa do Advento em minha vida...
A partir do primeiro domingo do Advento, a liturgia veste-se
de roxo. Por que roxo?
Felizmente a nossa amada Igreja Católica tem uma linda
pedagogia em todas as suas celebrações e até mesmo as cores utilizadas ensinam-nos
em silêncio acerca dos mistérios da fé durante a nossa caminhada na vida cristã
ao longo do ano litúrgico.
O ano litúrgico começa no primeiro domingo do Advento e a Instrução
Geral do Missal Romano permite que todas as celebrações litúrgicas possam ser realizadas
numa mesma sintonia de som uníssono, unindo-nos como irmãos, estejamos onde estivermos,
independente da língua ou do país.
O Advento prepara o coração de todos os católicos para a
vinda de Jesus no Natal.
E este deve ser o meu objetivo enquanto preparo o meu
coração e a minha casa para receber a luz de Jesus na minha vida.
A coroa do Advento é um dos símbolos que podemos colocar
naquele cantinho da casa que preparamos para colocar visivelmente esta espera
pelo Natal de Jesus em nossas casas.
A Coroa do Advento
consiste numa coroa feita com ramos verdes e flores, na qual se colocam quatro
velas.
Estas quatro velas significam as quatro semanas do advento que são as
quatro semanas que antecedem o Natal.
Geralmente é redonda, usando um aro de arame ou madeira,
revestido de ramos vegetais ou de musgo. Esta verdura deve ser uma que se
conserve ao longo do tempo, como os fetos.
Quando colocamos os ramos verdes na coroa do Advento,
queremos afirmar que Cristo tem poder sobre a vida e a natureza.
Costumava-se colocar
ramos de abeto ou de pinus, de ciprestes, porque estes ramos não perdem as
folhas no inverno. Isto significa que a fé em Deus nos oferece perseverança,
esperança e certeza de vitória sobre a morte e a escuridão.
A imortalidade em
Deus é o nosso prémio, e nada neste mundo terreno é eterno e dura para sempre.
Como tenho gatos, usei folhas de plástico. Penso que temos
de nos ater ao que a Coroa do Advento representa e adaptá-la conforme as nossas
possibilidades.
Não é preciso gastar dinheiro. Basta olharmos à nossa volta que
com imaginação podemos construir uma bela coroa do Advento obedecendo ao seu
essencial. E é este essencial que quero falar aqui.
Neste Advento, o que desejo é dar força ao simbolismo do
Natal no meu coração e na minha casa.
Nesta altura, não se colocam flores na coroa do Advento,
pois a cor verde deve imperar perante a escuridão da noite.
Este pormenor carrega em si uma forte simbologia. Aliás,
esta coroa está repleta de fortes símbolos que vão para além das cores.
A forma circular da coroa do Advento indica-nos que aceitamos
esta aliança entre Deus e a nossa história, pois Cristo é o Senhor do nosso
tempo, unindo o passado, o presente e o futuro rumo à Salvação como aconteceu
com o povo judeu descrito na Bíblia.
O círculo indica-nos que não há princípio e nem fim pois
deve haver em nós este buscar da perfeição e da plenitude na nossa vida de
cristãos.
Deus é eterno, sem princípio e sem fim porque Nele há um
infinito amor.
Quando nos sentimos amados por Deus, temos um desejo de
faze-lo ser conhecido, amando-O quando amamos o próximo com este igual infinito amor.
Nos tempos antigos, oferecia-se uma coroa de ramos de
oliveira ou de louros aos atletas que vencessem os jogos olímpicos. Então, esta
coroa que coloco na minha casa é também este sinal de vitória, de alegria, de
honra e de grandeza.
Quando permitimos Deus na nossa vida, participamos da
chamada “coroa dos eleitos” assim como lemos no livro do Apocalipse, 14,14.
Se deixamos Deus nos ajudar a escrever a nossa história,
temos esta certeza da vitória e da vida plena, aconteça o que acontecer, nesta
breve passagem pela terra.
No primeiro domingo do Advento começamos a colocar ao longo
do círculo, a primeira das quatro velas, que irão culminar com a chegada da
grande e eterna luz do Natal com o nascimento de Cristo.
Se o Advento me prepara para uma nova vida, devo usar velas
novas.
Aqui, chamo a atenção que a colocação das velas junto à
coroa do Advento deve ser feita com toda a segurança, para que quando forem
acesas não provoquem incêndios.
Eu escolhi aquelas pequeninas velas envoltas em alumínio,
mas geralmente escolhem-se velas novas, grandes que aguentem estar acesas
durante o tempo do Advento.
É importante que a vela transmita esta pequenina luz que irá
se juntar às outras luzes que irão ser acesas ao longo das quatro semanas do
Advento.
O número quatro simboliza os quatro evangelistas, ou os
quatro mil anos que o Povo Judeu esperou o Messias.
Serão assim as quatro
semanas do Tempo do Advento que nos lembra as quatro fases da História da
Salvação que preparou o povo judeu para a vinda do Salvador.
Estas quatro velas
são os quatro pontos cardeais do cristão que se plenifica na Cruz de Cristo, ressuscitado
em eterno Sol da salvação, que ilumina o mundo inteiro envolto em trevas.
Ao acender gradativamente as velas, quero aproximar-me do
Nascimento de Jesus, partilhando com os que estão à minha volta esta progressiva
vitória da luz sobre as trevas.
As palavras de Deus são firmes alicerces para a nossa vida.
Por isso, a base de cada uma das velas que irei acender será um círculo de cerâmica
com uma frase bíblica pintada por mim.
Nesta primeira semana, a frase bíblica que serviu de base da
minha primeira luz do Advento é: “Confia no Senhor, sê forte e corajoso e
confia no Senhor.” (Salmo 27,14)
Este versículo do lindo Salmo 27, convida-me a meditar que
perante toda e qualquer escuridão, Deus deve ser a luz que vai à frente, a
iluminar os nossos passos.
Que esta coroa do Advento me prepare para receber plenamente
a luz de Cristo no Natal.
(As informações histórias, litúrgicas e simbólicas do
Advento foram pesquisadas nos sites que abaixo indico. Convido a todos a aprofundar o tema do Advento, visitando estes sites oficiais e credíveis pois quanto mais aprofundamos de forma fiel o nosso conhecimento acerca da Igreja Católica, mais a amamos.)
domingo, 27 de novembro de 2016
Revistamo-nos das armas da luz...
“Sabeis em que tempo vivemos: já é hora de acordardes do sono, pois a
salvação está agora mais perto de nós do que quando começámos a acreditar. A
noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das
trevas e revistamo-nos das armas da luz. “ (Carta de São Paulo aos Romanos 13,11-12)
Para os cristãos católicos, hoje é o primeiro domingo do
advento. Advento vem do latim “adventus,”
que significa chegada, vinda.
Serão quatro semanas de advento em que ansiamos pelo Natal, em que a luz de Cristo iluminará todos os corações.
Por vezes, lembramos do Natal como mais uma festa… Para nós
cristãos católicos, a essência do Natal é muito mais profunda.
Hoje faz um mês que meu irmão faleceu. A perda de um ente
querido na proximidade de uma festa tão linda como o Natal fez-me perder, por
alguns instantes, a esperança e a vontade de festejar o Natal.
Porém, quando ouvi a leitura da Carta aos Romanos feita na
missa de hoje, percebi que ela vem ao encontro desta dor pela qual passo …
Então São Paulo oferece-me uma esperança: “A noite
adiantou-se e o dia está próximo.”
Apesar da noite que me cobre com suas dores do dia a dia,
doenças, perdas, luto…, o dia está próximo. Pois, como ainda diz São Paulo, bem sabemos “em
que tempo vivemos”. Por isso ele me adverte: “já é hora de acordardes do sono.”
Já é hora de acordar, mas este acordar é por causa do Natal em
que acredito. Para mim, como católica, o
Natal não pode e não deve ser apenas uma festa com prendas e comezainas.
O Natal em que acredito é o Natal de Jesus. Este é a esperança
viva na ressurreição que venceu a morte. Jesus é a invencível luz que venceu as
trevas.
Então como poderei fazer do Natal, esta luz que iluminará as
trevas do meu coração enlutado?
Esta é uma oportunidade que Deus me oferece para purificar a
forma como eu tenho festejado o Natal nos anos anteriores….
Já é tempo de viver e celebrar o Natal, simplesmente e
apenas o Natal na sua essência mais pura: Jesus.
Ainda mais neste tempo de dor, o meu coração enlutado necessita da luz de
Cristo. Ah, como deve o meu coração ansiar pelo Natal para que as trevas do luto
e da dor sejam transformadas pela luz de Cristo.
É esta esperança que me deve mover nos quatro domingos do
advento que me separam da celebração do Natal.
Serão quatro semanas em que irei me revestir com as armas da
luz como referiu São Paulo: ”… revistamo-nos
das armas da luz.”
Este revestir vem no
seguimento de algumas ações concretas que tenho primeiramente de fazer e que
também são ditas por São Paulo no mesmo texto.
A primeira ação concreta é “já é hora de acordardes do sono,
pois a salvação está agora mais perto de nós do que quando começámos a
acreditar”.
Devo acordar do sono em que o Natal foi imerso pelo comércio
e pelos media, tornando-se em mais uma festa desprovida da memória do
que o é ou que deveria ser para os cristãos.
Afinal, se o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus,
qual festa de aniversário seria a melhor indicada para oferecer a este
inesquecível e divino aniversariante?
A segunda ordem de São Paulo é: “Despojemo-nos, por isso,
das obras das trevas.”
O que são as obras das trevas?
Aqui tenho de me focar exatamente naquelas obras das trevas que
envolvem os meus pensamentos e ações no dia a dia.
Pois é urgente que me revista das armas da luz.
Parece fácil, mas afinal que tipo de armas de luz são estas?
Acredito que o meditar da Palavra de Deus nestes quatro
domingos que me separam da celebração do Natal irá me ajudar a revestir-me das
armas da luz necessárias para celebrar o Natal como memória do nascimento de
Jesus.
A luz é Cristo e esta luz está próxima.
Deixemos para trás o que não é luz. Despojemo-nos do que efetivamente
não é importante.
Antes de fazer presépios, montar a árvore de Natal, ou
colocar qualquer outro sinal do Natal, resolvi primeiro esvaziar aquele pequeno
espaço que escolhi na minha casa para colocar a coroa do advento e o presépio.
Resolvi retirar todas as coisas que estavam ali.
Fiz isto como um gesto simbólico de que devo despojar-me de
tudo que me afasta do Natal de Jesus para que assim possa celebrar a sua festa
como Ele realmente deseja.
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